Crise Frutífera
Publicado por admin em 09 Dez 2008 | sob: Crônicas e Comentários
Segundo Fabiana Maia, “Só sofrerão com crises financeira, corporativa, ambiental, familiar e/ou pessoal, aqueles que estiverem rigidamente apoiados no castelo de cartas das ilusões da permanência, constância e crescimento perene.”
A natureza nos ensina que depois do verão vem o outono, e que depois vem o inverno. Além do planeta Terra, as galáxias também são regidas por ciclos. Eras de expansão e eras de retração.
Ao escutar o radialista anunciando com espanto e indignação as demissões em massa e a falência de instituições financeiras que pareciam mais sólidas que as pirâmides do Egito, me flagro com o seguinte questionamento: por que será que alimentamos a ilusão de que viveríamos eternamente o crescimento econômico na aldeia global, como se houvesse apenas um eterno verão?
Ignoramos todas as pistas absurdamente evidentes do estágio de retração da economia norte-americana nos últimos anos, apegados ao sonho de aumentarmos ainda mais nosso consumo no ano que vem.
Mas nem todos se lamentam, pois os ambientalistas comemoram a tal ”Crise”, na esperança de assim darmos uma trégua ao ofegante planeta. Ora, então há os comemoram a crise financeira internacional
Frente às situações de pressão, estresse e crise, a questão central para não sucumbir, como sempre, é atitudinal.
Por que sofremos tanto com a retração econômica que nosso sistema vive? Medo, insegurança, pânico, incerteza em relação ao futuro, ceticismo, pessimismo generalizado que contaminam até os mais otimistas.
É tempo de reduzir o consumo, de nos voltarmos para o essencial. Mas gastamos tanta energia em desespero, assustados, comentando e ouvindo o dia inteiro noticias sobre a crise que a sensação predominante é de paralisia.
Existe uma concepção (discutível por alguns especialistas) de que no idioma chinês, a palavra “crise” é representada por dois ideogramas que representam perigo e oportunidade. Independentemente desta polêmica lingüística, quando nos deparamos com um perigo, temos a oportunidade para rever nossos valores, conectarmo-nos com o essencial, pensarmos fora da caixa, eliminarmos os excessos e para expandirmos nossa zona de conforto.
Segundo o artigo “Liderando Através da Incerteza” de Lowell Bryan e Diana Farrel divulgado pelo The McKinsey Quarterly desse mês, há três atitudes a serem especialmente cultivadas em tempos de incerteza que podem garantir a sobrevivência e até a prosperar numa crise como a que vivemos: a flexibilidade, a consciência e a resiliência.
“A gama de futuros possíveis com os quais os negócios se deparam hoje é imensa. As companhias que estimularem a flexibilidade, abertura mental (conscientização) e resiliência terão maior probabilidade de sobreviver à crise e até prosperar nela.”
Portanto, estão fadadas ao insucesso as empresas e as pessoas que por hábito se mantêm rígidas em suas zonas de conforto, que atuam no seu piloto-automático, com pouco hábito de refletir e se renovar. Aquelas que demonstram dificuldade de resistir a uma pressão forte sem detonar sua saúde e seu ambiente.
Só sofrerão com crises financeira, corporativa, ambiental, familiar e/ou pessoal, aqueles que estiverem rigidamente apoiados no castelo de cartas das ilusões da permanência, constância e crescimento perene.
E é especialmente em situações adversas, como uma crise financeira de dimensões globais, que os líderes de corporações e instituições precisam demonstrar comportamentos que revelem flexibilidade, abertura mental e resiliência. Essa é a hora da verdade em que se sustentarão apenas os verdadeiros líderes que inspiram o renascimento de uma nova ordem, abandonando aquela que envelheceu e ruiu.
O Dr. Robert Hogan, Presidente de Hogan Assessment Systems, desenvolveu uma medida de personalidade (inventário Hogan de Desafios) que revela onze tendências de comportamento disfuncional que as pessoas em geral, e os líderes em particular, demonstram sob estresse. Destes onze potenciais descarriladores de carreira, destaco três que podem especialmente minar as atitudes produtivas acima mencionadas.
Em momentos de incerteza, como o que vivemos, aqueles líderes que correm risco de descarrilar com reações temperamentais, céticas e reservadas tendem a ter mais dificuldade para mobilizar o time positivamente e tirar “leite de pedra”.
Líderes que sob pressão tendem a se empolgar de forma entusiasmada quando tudo está bem e desistir ao primeiro sinal de dificuldade, reagindo de forma imprevisível ou irritadiça, são os Temperamentais.
Outros parecem desconfiar até da própria sombra, reagindo de forma cínica e pessimista em relação aos outros ou às situações. Estes exageram em sua forma criteriosa de analisar os riscos e só passam a ver riscos e ameaças em tudo e todos. O copo do Cético está sempre meio vazio e, mesmo assim, pronto para entornar.
Por fim, vem aquele tipo de liderança que desaparece na própria concha ( ou escritório) em situações caóticas, quando todos precisam ouvir aquela voz reconfortante de que tudo vai dar certo e só se escuta o eco do silêncio, rapidamente rompido pela efetiva rádio-peão.
Redescobrir a coragem de atravessar um mar revolto, numa tempestade que parece cada vez mais intensa, pode ser um grande antídoto contra o principal veneno que aniquila o poder da liderança sustentável: as limitações inconscientes!
Fortes e poderosos, no fundo, são aqueles que estão sempre ampliando seu autoconhecimento e adaptabilidade às mudanças, e por isso são capazes de demonstrar serenidade, alegria, confiança e, principalmente, resiliência nos momentos difíceis, influenciando os que vivem à sua volta com a certeza de que depois do inverno cinza e estéril vem a primavera com seus perfumes e sementes.
Fabiana Bandeira Maia
Consultora Associada da Ateliê RH
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Parabéns pelo excelente artigo Fabi!
E vamos à crise, recebendo-a de abraços abertos, confiantes na grande oportunidade de transformação que ela nos proporcionará.
Beijo,
Cassia Vergínia de Resende
Fabi, parabéns pelo ótimo artigo!Acredito muito sobre as oportunidades que a crise nos oferece gentilmente, só depende como vamos nos flexibilizar diante dela. Adorei, parabéns , Helena Kavaliunas